NSA e FBI alertam para hackers usando ferramentas geradas por IA em ataques contra tecnologia de infraestrutura crítica

Fonte: The Record.

Agências federais afirmaram que existe uma “ameaça ativa” contra organizações de infraestrutura crítica, utilizando scripts de exploração gerados por inteligência artificial — o que classificaram como uma “evolução” nas capacidades dos agentes de ameaça.

As organizações foram orientadas a tratar o alerta divulgado na quarta-feira com urgência e iniciar medidas de resposta voltadas especialmente aos Controladores Lógicos Programáveis (PLCs) — equipamentos utilizados por setores como energia, abastecimento de água e agricultura para controlar bombas, máquinas e monitorar processos.

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), o FBI e outras agências federais informaram que a campanha tem como alvo os PLCs da série S7 da Siemens e vem sendo impulsionada pelo desenvolvimento assistido por IA, combinado à exploração de vulnerabilidades já conhecidas.

“Este não é um risco teórico — é uma ameaça ativa. Dependendo das circunstâncias específicas, a exploração de PLCs mal protegidos pode levar à interrupção de processos industriais críticos, incidentes de segurança, períodos de inatividade ou danos a equipamentos, comprometimento de dados sensíveis, violações de conformidade e impactos em cascata sobre sistemas interconectados”, afirma o alerta.

Segundo o comunicado, agentes de ameaça ainda não identificados estão realizando atividades de reconhecimento e desenvolvimento de capacidades contra instalações de PLCs Siemens localizadas nos Estados Unidos. Para isso, estariam utilizando scripts de exploração gerados por IA e disfarçados como ferramentas legítimas de monitoramento.

Os hackers também utilizam plataformas de varredura da internet para localizar PLCs que estejam diretamente expostos à rede.

Em julho, agências federais já haviam alertado que hackers associados ao Irã estavam atacando PLCs fabricados por diferentes empresas, além da Siemens, incluindo Schneider Electric, Rockwell Automation e Allen-Bradley.

O novo alerta destaca que o conteúdo específico sobre a Siemens deve ser compreendido como parte de um cenário de ameaças mais amplo.

Os operadores foram orientados a isolar os PLCs da internet, aplicar todas as atualizações e correções disponíveis e habilitar ferramentas de segurança capazes de monitorar atividades suspeitas e ameaças.

Scripts automatizados

Os hackers por trás da campanha estão utilizando inteligência artificial para gerar scripts de exploração capazes de fornecer acesso a credenciais e outros caminhos que podem ser utilizados para provocar danos.

As agências classificaram o uso da IA para gerar esses scripts como uma evolução nas capacidades dos agentes de ameaça, reduzindo drasticamente tanto o nível de conhecimento técnico quanto o tempo necessário para desenvolver scripts funcionais de exploração de Sistemas de Controle Industrial (ICS) e outras ferramentas maliciosas.

A IA também está ajudando os atacantes a se adaptarem rapidamente às medidas defensivas. Em alguns casos, ela permite a criação de ferramentas personalizadas projetadas para se parecerem com soluções legítimas de monitoramento de tecnologia operacional (OT).

Diversas agências envolvidas no alerta direcionaram questionamentos à Casa Branca e à NSA, que não haviam respondido até o momento da publicação. A Siemens também não respondeu aos pedidos de comentário.

O alerta não atribui formalmente a atividade a um grupo específico. Apenas afirma que os ataques “provavelmente têm como objetivo realizar reconhecimento persistente em setores e instalações selecionadas, desenvolver capacidades e se preparar para provocar efeitos operacionais contra infraestruturas críticas”.

Além de setores responsáveis pelo abastecimento de água, energia e manufatura, os PLCs da Siemens também são amplamente utilizados na indústria de defesa.

Autoridades governamentais ficaram em alerta há duas semanas, quando dezenas de empresas de abastecimento de água em pelo menos 12 estados norte-americanos relataram intrusões cibernéticas supostamente envolvendo agentes iranianos que tinham como alvo PLCs.

Diversas medidas foram propostas para lidar com o problema, mas o alerta divulgado na quarta-feira indica que a campanha pode ir além das instalações de água e tratamento de esgoto, atingindo outros segmentos de infraestrutura crítica.

O especialista em tecnologia industrial Brian Proctor afirmou que a introdução da inteligência artificial reduziu significativamente a distância entre a divulgação pública de uma vulnerabilidade e a criação de um script funcional por alguém que, anteriormente, não teria conhecimento técnico suficiente para desenvolvê-lo.

“A barreira que antes era a especialização agora é o tempo — e esse tempo está ficando cada vez menor.”

Segundo ele, a atividade descrita no alerta representa a primeira metade de uma operação destinada a gerar efeitos concretos, e a segunda etapa se torna muito mais fácil e barata quando a primeira já foi concluída.

Proctor também destacou que o próprio alerta reconhece um problema comum: muitos usuários finais de PLCs sequer sabem que seus equipamentos estão expostos à internet, pois essa exposição pode ter sido introduzida por um fornecedor terceirizado.

Na avaliação do especialista, as organizações precisam começar a planejar o que acontece quando perdem o controle de um PLC.

“Porque é aí que isso termina se esse reconhecimento tiver tempo para evoluir. Não em um vazamento de dados. Mas na perda de visibilidade, na perda de controle e em um processo físico funcionando em um estado que ninguém na sala de controle consegue enxergar.”

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